Virtual Guia

Olá! Seja bem-vindo. Hoje é quarta-feira, 15/08/2018 03:37:49.

Ainda não é usuário? Cadastre-se. É Grátis! | Efetuar login

Categorias

Notícias

31/07/2012 Coordenador do Projeto Rondon fala sobre atividades em Itapeva‏

Por: Assessoria de Comunicação Social - Prefeitura de Itapeva - SP

Após realizarem uma visita precursora, em julho do ano passado, para fazer um diagnóstico completo da região, com entrevista com os moradores, os alunos do Projeto Rondon analisaram as principais necessidades no município. Na segunda etapa, voltam agora para desenvolver mais uma parte do projeto, que consistiu na capacitação dos profissionais que atuam em Itapeva.

Em entrevista, o coordenador do projeto, no estado de São Paulo, Antonio José Fontoura Bongiovanni, disse que as necessidades aparecem também durante a atuação do grupo, trazendo informação e resultado. “Baseado nos resultados, trouxemos a Itapeva alguns projetos necessários, mas convivendo na comunidade percebemos que outras áreas podem ser exploradas, como a culinária e o artesanato típicos da região”, explica. Confira:

PMI - Como foi para a equipe do Projeto Rondon a experiência em Itapeva, no mês de julho?

Antonio - Para a equipe, que contou com 17 estudantes de diversos cursos de três grandes universidades de São Paulo (FMABC, UMESP e PUCSP) e dois professores, focalizou-se as ações em duas significativas missões: capacitação sobre violência doméstica e afirmação feminina para as Agentes Comunitárias de Saúde de Itapeva e Mapeamento das Redes Sociais do Quilombo do Jaó. A primeira teve como importância tratar de um assunto delicado e recorrente na sociedade, porém pouco discutido em âmbito público, principalmente nas competências que profissionais da saúde devem exercer para atenção ,orientação, notificação de casos e exercício da cidadania e das garantias de proteção política. Participaram mais de 130 agentes comunitárias de saúde, durante quatro dias de curso, e puderam narrar suas experiências e discutir, com os temas propostos, sobre a realidade da prática, as dificuldades e facilidades de trabalhar com este fenômeno. Atentou-se o tempo todo, durante o curso de capacitação introdutório à "Promotoras Legais da Cidadania" a importância e grande estratégia que as ACS tem no complexidade da Atenção Primária em Saúde, além da necessidade que estes profissionais solicitam por maiores cuidados éticos, humanos e profissionais. Já nas atividades desenvolvidas no Quilombo do Jaó é imprescindível dizer que a construção do conhecimento se fez pelo vínculo e na troca de culturas diversas. Nesta edição do Projeto Rondon o foco foi realizar um levantamento das Redes Sociais do Quilombo e analisar os modos como a comunidade organiza suas relações entre si e com toda a cidade de Itapeva. Com isso identificamos as principais problemáticas, assim como os recursos já desenvolvidos pela comunidade que os potencializam. O trabalho foi crucial nas rodas de conversa com a comunidade e com os líderes locais. A necessidade de construir representatividades engajadas nas políticas de cidadania, ajuda a compreender que as demandas são além daquelas que imaginamos, pelos estereótipos de uma cultura remanescente de ex-escravos, mas sim, de um povo que prospera no afeto e na modernidade de inclusão nos novos modos de pensar e fazer uma sociedade mais participativa. Nos oito dias de atividades no Jaó, reunimo-nos para atividades com os adolescentes, líderes comunitários e profissionais da saúde. Ainda conseguimos desenvolver atividades na Vila Dignidade com idosos e cuidadores e integração com a equipe do NASF. Outra importante atividade foi o encontro com representantes da secretária de saúde de Itapeva e profissionais de diversos serviços, onde conversamos sobre as realidades da cidade e o modo de operacionalização técnico do trabalho, em que uma tarefa foi construída e que já estamos nos engajando, a de construir uma Rede Social virtual para discussões coletivas sobre o desenvolvimento local e intersetorialidade.

PMI - Como esta sendo planejada a próxima etapa?

Antonio - No mês de Janeiro quando uma nova equipe do Projeto Rondon retorna à cidade, esperamos trabalhar com os frutos que foram plantados desde agora, assim como fizemos com a missão número 1, em que as primeiras iniciativas foram germinadas. Para tanto, entendemos que para isso há necessidade de um vínculo a ser fortalecido. O que me preocupa é que as missões não sejam isoladas das realidades em que a cidade vive, mas que possam estar intrinsecamente articuladas com as necessidades, realidades e modos culturas da localidade. Dessa forma, até janeiro ainda teremos muito trabalho nas conversas pela Rede Social, é desta reunião, deste coletivo que saberemos as estratégias a serem tomadas e os caminhos a serem percorridos. Para que as ações do Projeto Rondon possam ser cada vez mais efetivas e reais as demandas sociais e menos assistencialistas.

PMI - Qual o ganho para as universidades que participam dessas expedições ?

Antonio - Muitos são os ganhos. O Projeto Rondon oferece a oportunidade do trabalho que não é disciplinar, reducionista, mas sim um trabalho do "entre", o que digo com isso, um trabalho em que atores de diversos contextos aprendam a dialogar e a criar ações inovadoras no âmbito do coletivo. Costumo dizer para meus estudantes, que o que aprendemos em ações como estas não aprendemos em 5 anos de Faculdade. Penso que isso é uma chamada para que nossas Universidades repensem o lugar da Graduação e das Atividades de Extensão e Pesquisa, pois estes três eixos não caminham isolados, e de forma indiscutível, se torna obrigação de qualquer Instituição de Ensino Superior compreender seu papel, como um agente social e de contribuição com o local em que exerce seu papel. O projeto desenvolve um sentimento no estudante, basta você ouvir ao final de qualquer missão, a transformação de valores humanos promovidos em cada um. Sair de uma cidade, ir para outras localidades, pode ser, para que muitos pensam, uma "grande férias humanitária"!!! Ao contrário disso, e nego completamente essa postura, pois o trabalho coletivo, de desenvolvimento local, da troca de saberes culturais de humanidades, é o espaço potencial para que estudantes, professores e comunidades locais possam juntos desenvolverem novos modos de compor identidades que não sejam rompidas, para que o cuidado brote do próprio local, do próprio sujeito, como lema essencial do Projeto Rondon "Integrar para não entregar"!

PMI - Na sua visão, quais os benefícios para o município e comunidades atendidas?

Antonio - O bom trabalho é aquele que deixa na comunidade local o sentimento e a vontade de engajamento político e cidadão. Só consigo compreender uma comunidade integrada, saudável, quando esta, em sua totalidade, está engajada na cidadania. O nosso esforço é levar este encorajamento, a partir do trabalho coletivo e do trabalho político. O trabalho é inconsistente quando desenvolvemos uma ação, e a comunidade só terá outro acesso quando a equipe retornar. Isso pode levar seis meses, um ano ou mais. Não é disso que estamos falando e nem querendo, mas sim, uma mobilização integradora dos direitos civis, ao respeito as diferenças, crenças, culturas e localidades. É possibilitar que as diversas esferas da política se integrem e discutam juntas suas necessidades e realidades. Este é o trabalho mais difícil, pois agimos na base de todo o processo. É a fuga da lógica paliativista, curativista, como sempre tivemos no campo da saúde. É entender todo este processo como uma grande teia, a metáfora da Rede Social, em que todos os nós são produtos de muitas relações que se comunicam diretamente, a mudança em um nó, modifica todos os outros laços da teia, mas aqueles que as modificam são os grandes sabedores da trama que os protege. A expectativa é de que haverá uma continuidade na formação sócio-educativa e humana de parte dos componentes desta Rede Social, para que num futuro próximo possa ocorrer as interações esperadas, que trará o crescimento e fortalecimento das comunidades e das Universidades integradas ao Projeto Rondon, através da retroalimentação destes estudos e informações.


Fotos

Comentários

Deixe seu comentário:

É preciso fazer login para escrever um comentário. Identifique-se e comente.