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Silas Correa Leite

Silas Correa Leite

Silas Correa Leite tem 56 anos, é Teórico da Educação, Jornalista Comunitário e Coordenador de Pesquisas da FAPESP/USP em Culturas Juvenis. Começou a escrever aos 16 anos no jornal O Guarani de Itararé. De família pobre, migrou para SP em 1970 com 18 anos e a quarta-séria do curso primário. Voltou a estudar, fez Direito, Geografia. É Especialista em Educação (Mackenzie), com extensão universitária em Literatura na Comunicação (ECA) e Direitos Humanos e Cidadania. Autor de Porta-Lapsos, Campo de Trigo Com Corvos e do e-book de sucesso O Rinoceronte de Clarice, onze ficções, todas falando de Itararé. Premiado em vários concursos no Brasil e no Exterior. É autor do oficial Hino ao Itarareense. E-mail para contatos: poesilas@terra.com.br Site: www.itarare.com.br/silas.htm Blogues: www.portas-lapsos.zip.net e www.campodetrigocomcorvos.zip.net

Artigo

22/06/2013 VOU VOLTAR PARA ITARARÉ



Vou voltar para Itararé
Vou morar no mato
Vou comprar uma carroça de lona e um pangaré
E vou plantar auroras, prelúdios... e tilápias...

Vou comprar um hectare de terra-mãe
À beira do rio Itararé
Vou plantar pé
De poesia, pamonha, fruta-pão, capilé
Numa chácara verdejante à beira da serra...

Vou construir uma choupana
De pau a pique, coberta com sapé
Vai ter lampião Aladim, curió e chaminé
E criação de borboletas e vaga-lumes...

Vou cercar de belos pinheirinhos o lugar
Vou alugar
Um pedaço de luar
E fazer também uma plantação de vacas
Para ter churrasco gostoso garantido
Todo sábado e domingo...

Vou voltar para Itararé
Morar no arrebalde de uma vilinha agreste
Vou plantar cana-de-açúcar, algodão e café
E framboesa silvestre...

Vou tirar rádio, jornal, televisão
Tirar luz elétrica, imposto e internet
Malemal um tordilho e uma charrete
Bosque, quintal, canteiro, criação...

Vou mandar rebuscarem no Paraná
O acordeão vermelho do meu pai
Vou acordar madrugadinha ouvindo sabiá
E dormir entre forfés de grilos e cigarras...

Vou voltar pra Itararé
Eu aqui pra São Paulo volto mais não
Eu aqui não fico mais...
Minha alma é o luar do sertão...

Adeus diplomas, livros, bens, anéis; mais
Adeus úlceras, neuras – violências, poluições
Vou caçar sapo entre arrozais
Antes que um derrame do coração me fulmine...

Vou voltar pra Itararé
Feijão de lenha, forno de barranco
Vou encilhar cavalo branco
E vou vadiar, cismar, fazer um tropé

E quando me der vontade, na “Chácara Shangri-lá”
De ir pra São Paulo, ligar a internet, a televisão
Vou tomar um melhoral que passa
E vou colher vinagre, pimenta, sal, melancia, pinhão...

E quando um dia me encontrarem, então
Morto, mais de cem anos, num velho casebre
-Morreu triste e sozinho; tongos e sarangas dirão
-Que o diabo os carregue!

Morri vencedor bem rente ao chão
Sem guaiú, forrobodó, sofrência, forfé
O filho da terra à terra volta, ao chão
Ser mais um pé de milho em Itararé...

Isso de um piá bem sensitivo sacar na hora agá
Ao me ver “cerrindo” na espiga; com cabelo vermelho de fora
-Esse poeta mesmo bem mortinho ainda dá
Lágrimas de saudades. Em sementes de milho cor da aurora...
-0-
Silas Correa Leite – Estância Boemia de Santa Itararé das Artes
Poema da Série “Eram os Itarareenses Extraterrestres”?
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site: www.portas-lapsos.zip.net
Blog: www.artistasdeitarare.blogspot.com/


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