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Silas Correa Leite

Silas Correa Leite

Silas Correa Leite tem 56 anos, é Teórico da Educação, Jornalista Comunitário e Coordenador de Pesquisas da FAPESP/USP em Culturas Juvenis. Começou a escrever aos 16 anos no jornal O Guarani de Itararé. De família pobre, migrou para SP em 1970 com 18 anos e a quarta-séria do curso primário. Voltou a estudar, fez Direito, Geografia. É Especialista em Educação (Mackenzie), com extensão universitária em Literatura na Comunicação (ECA) e Direitos Humanos e Cidadania. Autor de Porta-Lapsos, Campo de Trigo Com Corvos e do e-book de sucesso O Rinoceronte de Clarice, onze ficções, todas falando de Itararé. Premiado em vários concursos no Brasil e no Exterior. É autor do oficial Hino ao Itarareense. E-mail para contatos: poesilas@terra.com.br Site: www.itarare.com.br/silas.htm Blogues: www.portas-lapsos.zip.net e www.campodetrigocomcorvos.zip.net

Artigo

24/02/2013 ITARARÉ - Por Silas Correa Leite, Fanático Por Itararé


ITARARÉ
Tiramos Lágrimas do Chão
“Janelas e portas vão se abrir/Pra ver você passar
E ao se sentir em casa/Sorrindo vai chorar... “
(Debaixo dos Caracóis de seus Cabelos)
Roberto Carlos.

Dezesseis anos e alguns dias... Você sabe o que é isso, companheiro? Você não sabe, eu sei...
Nepotismo, corrupção, notas fiscais frias, jagunços, desvio de erário público...
Compra de vereadores-marionetes, compra de legendas, de oportunistas e de currais eleitorais
Áreas turísticas abandonadas, cofres da prefeitura vazios, cidade entregue às moscas, buracos...
E aspones se locupletando no poder. Aliados jecas erguendo barracões sem explicar a origem do capital...
Periferia abandonada. Santa Casa sem aparato funcional. O povão carente sofrendo as impunidades
Dezesseis anos, meus irmãos. Quem sabe faz a hora não espera acontecer? Há um Deus.
Você liga a televisão, corrupção. Você vê nos jornais; queriam asfaltar o que não precisava ser asfaltado
E muita gente forrada de grana. E a cidade entregue ao deus-dará. O crime organizado no poder...
Incautos, mal informados ou mal formados não sabendo o que se passa. E os omissos. E os coniventes. E o bando.
E as panelas. O pai de um desses ladrões, disse: Meu filho prefeito? O vagabundo e burro vai enterrar Itararé...
A profecia se cumpriu. Itararé, das batalhas, trincheiras da legalidade, Cidade Poema... perdida...
Itararé, cidade histórica... - a historia que toda cidade brasileira gostaria de ter...
Bonita pela própria natureza. Santa Itararé das Artes. A história do Brasil passa por aqui...
Dezessseis anos, quatro gestões; em vez de criarem infraestrutura para tentar um bendito dia ser Estância Turística
Virou a capital dos rodeios. Onde os verdadeiros animais estavam na plateia. E os ratos nos podres poderes...
Dezesseis anos perdidos. A cidade parou no tempo. Cidades vizinhas cresceram. Itararé entregue às mesmas moscas
E ainda ególatras aventureiros emboabas com dinheiro, embalados para serem os salvadores da pátria com aliados do cão
E um caboclo do mato posando de super-herói quando malemal sabia E a cidade envergonhando sua historia. E a verdade sendo camuflada. Mentiras e semvergonhas mamando nas tetas publicas
Você sabe o que é amar Itararé? Você não sabe, eu sei...
Quando a gente ama é claro que a gente cuida, diz a canção. Mas ganharam dinheiro com Itararé, desviaram...
Ah a justiça ainda que tardia. Choramos pitanga. (Verás que um filho teu não foge à luta). Quando vimos, o sonho:
Finalmente depois de dezesseis anos o pior de todos foi sentenciado. Desembargadores confirmaram: Culpado...
Ganhar eleição jogando sujo; crime eleitoral - explorando a miséria alheia, valendo-se de máfias e quadrilhas...
Ganhar assim não é ganhar. Quando o povão perde, o que está no poder é a pessoa errada no cargo errado...
Vereador nota zero só pode ser prefeito nota zero. Já não sabíamos a lição de cor? (Muitos se perderam pelo caminho...)
Muitos foram chamados e poucos escolhidos. Quem for limpo, se limpe ainda mais, quem for sujo, se suje mais ainda
Finalmente as lágrimas do chão: Itararé se levanta. A cidade murmura, sorri, a cidade tira a ternura para dançar novos ares
Eureca, aleluia. Salve limpo perdão da esperança. Morrer por Itararé ainda é viver. Podemos olhar para o futuro agora
Podemos olhar nos olhos do amigo, do simples, do cidadão. Pureza de sentimentos. O pesadelo acabou. O inferno teve fim, viva a cidadania...
Todos por Itararé. Itararé para quem ama Itararé. Sonho que se sonha junto é um processo de reconstrução...
Antes o medo, o sujo, o ignóbil, o vil. Agora a estrela sobe, Itararé se levanta. Nas ruas, feiras, supermercados, olhos brilham...
A esperança venceu o medo. Nas escolas, a boa nova. Tem gente limpa na Prefeitura de Itararé, benza-Deus!
Nas ruas o povo: corruptos foram cassados nas urnas. O Palácio Vadico tem semeadura limpa e nova
Devemos lavar as escadas da Prefeitura? Que Itararé era aquela? Queríamos nossa Itararezinha de volta...
Dezesseis anos tirando lágrimas do chão. Das lágrimas brotarão flores, mais, brotarão novas andorinhas...
Para não dizer que não falei de flores, uma mulher como a minha mãe, a sua mãe, a mãe-terra, de linhagem ancestral límpida
Tomou a direção da barca. O povo tomou a direção da barca. Avante Itararé, sempre haverá Itararé...
Chão de estrelas... A honra de ser Itarareense. O orgulho de ser Itarareense. As pessoas voltaram a sorrir...
Quando a banda passar... correremos atrás dela... lembrando que tiramos lágrimas do chão...
Teus filhos te cantam hinos
Ó meu recanto amado

(Perdoem se eu chorar)

Poetinha Silas, 22.02.2013

www.artistasdeitarare.blogspot.com/


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