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Silas Correa Leite

Silas Correa Leite

Silas Correa Leite tem 56 anos, é Teórico da Educação, Jornalista Comunitário e Coordenador de Pesquisas da FAPESP/USP em Culturas Juvenis. Começou a escrever aos 16 anos no jornal O Guarani de Itararé. De família pobre, migrou para SP em 1970 com 18 anos e a quarta-séria do curso primário. Voltou a estudar, fez Direito, Geografia. É Especialista em Educação (Mackenzie), com extensão universitária em Literatura na Comunicação (ECA) e Direitos Humanos e Cidadania. Autor de Porta-Lapsos, Campo de Trigo Com Corvos e do e-book de sucesso O Rinoceronte de Clarice, onze ficções, todas falando de Itararé. Premiado em vários concursos no Brasil e no Exterior. É autor do oficial Hino ao Itarareense. E-mail para contatos: poesilas@terra.com.br Site: www.itarare.com.br/silas.htm Blogues: www.portas-lapsos.zip.net e www.campodetrigocomcorvos.zip.net

Artigo

09/05/2011 Em nome do filho - Silas Correa Leite

“Às vezes o importante não é encontrar
o nosso “Eu” interior, mas acordar o
nosso “Nós” coletivo...”

Outro Poema Para o Meu Filho
Thiago Frederico Alvim Correa Leite


Ah meu filho THIAGO FREDERICO, terás que me perdoar!
Não te carreguei no colo, nem troquei tuas fraldas
Sequer corri atrás de tua febre auroral, ou te ensinei minhas malucas canções tristes de trilhas desumanas
Sequer brinquei de bolinha de gude ou pipa contigo
Nem contei histórias para que dormisses em paz
Porque a vida me levou de ti e eu fiquei órfão de filho...

Na noite escura de minha alma, eu pobrinho também sofri
Lutei muito para conseguir um lugar ao sol sem sol
E quando a vida nos apartou; eu fiquei à margem do caminho...
E a vida também te magoou tanto, te cobrou demais, e agora me apareces assim
Como uma luz de emergência no meu coração partido; o bendito filho...

O que fizeram de ti? O que fizemos de nós? As ruas da amargura...
E a culpa dos pais; que não soubemos de cuidar, e agora ouço
Meu coração amargurado tentando reconstruir esses caminhos, porque o encontro
Teve uma asaluz que pela mão de Deus intermediou esse retorno
Para um pai saudoso, doente e ainda mais triste; que não sabe o que fazer de abraços perdidos, dos cálices de ausências
Porque em nome do Filho de Deus retornas e temos
Que resgatar essas lágrimas, essas feridas, entre abraços e a consagração do amor como o melhor milagre, o melhor remédio...

Passei a vida inteirinha escrevendo poemas-filhos
Lidando com alunos-filhos; sobrinhos filhos... E nos poemas
Divaguei sonhos, cantagonias, errações; plantei canteiros, e agora me apareces
E sei que posso te tocar, te dar o afeto que se encerra no meu peito
E seguiremos sabendo que podemos contar um com o outro
Até finalmente um dia eu ser recolhido como sucata para ser reciclado e então me continuarás
E dirão que terás a minha cara, a minha coragem, o meu instinto de sobrevivência
E o meu senso agudo de clamar por justiça ainda que tardia
Como elos da mesma corrente que finalmente se encontram, se ligam e no amor e na dor terão que se sustentar um no outro

O abraço que não te dei: o amparo impossível pelos descaminhos do longe, muito longe
E agora te encontro e agora terei que tardiamente aprender a ser pai; terás que me ensinar, meu filho
A tirar as amarras de tuas tristezas, caminhar contigo, correr da chuva... brincar com meus velhos carrinhos quebrados
E com meus dinossauros que, como eu, decoram estantes vazias
Porque és meu filho, porque sou teu pai, e, Em Nome do Filho teremos que prosseguir juntos
Nas alegrias e nas tristezas, nas perdas e nos danos; duas almas tristes tentando barulhanças e contentezas
Porque a vitória com lágrimas é santificada na convivência de aprendermos um com o outro
Como ser e como não ser, para sermos pais e filhos
Ao lado de minha Musa Rosangela que também te acolhe e te abençoa com ternura maternal...

Ah Thiago Frederico; meu filho com nome de santo como diz a velha balada
Como eu queria que não fosse assim; eu seria um pai cobrador, chato, queria que estudasses, trabalhasses, que fizesses o melhor
(Os Corrêas tem essa luz e cruz: sobrevivem... e Vencem...)
E caminharíamos cada um pela mão do outro
Como temos ainda que tentar fazer agora; recuperar o tempo perdido...
Nunca é tarde demais – podemos reconstruir essa estadia unidos
Porque carregas minha alma nau; e minha vida fecha um ciclo, em ti e em teu nome se completa agora
E teremos que conviver em paz com isso... conviver ... conviver...
Pai e filho salpicados de lágrimas juntos novamente
Assim na terra como no céu
E seremos pais e filhos desaprendidos de serem pais e filhos
Que se completarão um no outro... que aprenderão um com o outro
E junto construiremos uma estrada de tijolos amarelos muito além de Itararé, muito além de nós mesmos
E nos fortaleceremos um no outro
A lágrima e a luz formando aquilo que teremos juntos e para sempre:
Um Lar!

-Você terá um lugar para chamar de seu
E eu finalmente terei de volta o sangue do meu sangue
(Entre suor e lágrimas) para chamar de

MEU FILHO...

-0-
Silas Correa Leite
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net


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