
São muitos os motivos causadores da halitose (mau hálito), não sendo explicados por um único mecanismo, mas por um conjunto de fatores. As halitoses têm origens fisiológicas, patológicas, sistêmicas (diabetes, prisão de ventre, gastrites, stress, etc...) e principalmente razões locais (doenças gengivais, cáries, aftas, cirurgias bucais, lesões e saburra lingual que é a responsável por 95% da ocorrência).
A Saburra lingual é a camada esbranquiçada ou amarelada de material viscoso que adere sobre a língua, normalmente em seu 1/3 posterior. É constituída principalmente da placa bacteriana, restos alimentares e eptélios descamados. Os microorganismos atuam sobre esses alimentos e proteínas da própria saliva gerando componentes de cheiro desagradável (metil mercaptana, dimetilsulfeto e principalmente sulfidreto, que tem cheiro de ovo podre).
A formação da saburra é primeiramente causada pela diminuição do fluxo salivar que deixa a saliva muito viscosa (rica em mucina), a qual facilita a aderência de placa bacteriana, logo é importante a avaliação das causas da redução do fluxo salivar para auxiliar no tratamento.
As pessoas que têm mau hálito constante, não percebem o problema por fadiga olfatória. Somente as halitoses periódicas podem ser notadas, assim mesmo com dificuldade e os constrangimentos sociais podem ocorrer sem a percepção do paciente.
A saburra não é transmissível, somente pacientes com predisposição a possuem, assim sendo, é comum observarmos casais onde apenas um apresenta halitose.
Devido a dificuldade do paciente saber se tem ou não mau hálito, a maneira mais simples de identificação é perguntar a um familiar ou um amigo de confiança sobre o problema.
Caso haja constrangimento, um profissional deve ser consultado, lembrando que a halitose pode envolver várias áreas de especialização, sendo o diagnóstico esclarecido por mais de um profissional.
Existem alguns pacientes halitofóbicos que acham tem muita halitose, onde na verdade são exageros psicológicos, provocando apreensão em relacionamentos sociais.
A halitose matinal atinge quase 100% da população, pois é de origem fisiológica (leve hipoglecemia, redução do fluxo salivar e aumento da flora bacteriana), o problema é resolvido após a primeira refeição seguida de higienização adequada.
Como dissemos anteriormente, a maior causa da halitose é de origem local, logo um cirurgião-dentista habilitado, estará apto para orientação e tratamento.
O cirurgião-dentista Dr. Sérgio Tadeu Bührer sugere alguns procedimentos básicos para o controle da halitose:
- Use enxaguatórios bucais, fio dental e escovas adequadas;
- Cáries, problemas gengivais, feridas bucais, etc... devem ser tratadas;
- Balas e chicletes diminuem a halitose somente durante o uso, mas muitos provocam cáries e gengivites;
- Existem no mercado, raspadores de língua para remoção da saburra;
- Higienize a boca corretamente, não esquecendo de escovar também o dorso da língua.
Por Sérgio Tadeu Bührer
Cirurgião-Dentista